Letras Academy
Liderança de design de uma plataforma para aprender idiomas com música: conteúdo grátis, assinatura com aulas e cursos, e um marketplace de professores. Conduzi cinco designers num discovery intenso, no começo da pandemia.
Design Manager e líder de design do projeto · 2021 · Web / App
Contexto
O Letras Academy nasceu de um feedback que se repetia entre os usuários: muita gente contava que aprendeu inglês lendo e traduzindo a letra das músicas no Letras. A empresa resolveu levar isso a sério e transformar num produto próprio, ensinar idiomas através das letras. O projeto começou em 2020 e foi lançado em 2021, bem no meio da adaptação forçada ao trabalho remoto pela pandemia.
Desafio
Antes de desenhar qualquer tela, veio um discovery intenso: conversas com professores de idiomas, benchmarking, pesquisa de market share e muita pesquisa com os nossos usuários. Ele revelou três dores bem diferentes, que não cabiam numa solução única.
- Um público jovem querendo aprender idioma com música. Massa grande, porém com pouca disposição financeira e movida por entretenimento (inglês pra viajar, pra entender filme e série), não pelas dores clássicas de inglês pro trabalho.
- A maior parte sem vontade de pagar, ou de pagar caro. Uma fatia pequena topava, mas exigia profundidade e contato humano.
- Professores particulares penando pra conseguir alunos, se organizar e receber.
A pergunta de design era como servir três necessidades tão distintas dentro de um produto só, sem inchar e sem se perder.
Processo & decisões
Cobrir todas as necessidades pra ganhar volume. Como o público geral só topava pagar pouco, o negócio dependia de volume de assinantes, e volume só viria atingindo todo tipo de necessidade. Por isso a assinatura ganhou dois níveis em vez de apostar num só: aulas rápidas de 15 minutos ancoradas numa música específica (presas ao gosto do usuário, ótimas pra quem quer aprender se divertindo) e cursos completos com trilha de iniciante a avançado, que usam música mas focam no aprendizado, não no gosto. Não eram redundantes: cada nível cobria uma necessidade que, sozinha, não sustentaria o volume.
Conteúdo grátis que puxa pro pago, sem ser um produto à parte. Em vez de investir num produto gratuito paralelo, o grátis se apoiou no que o Letras já tinha (a tradução, o core do produto) mais peças pontuais que faziam mais sentido apontando pros cursos do que existindo sozinhas. Assim o grátis aquecia lead sem competir com a assinatura.
Marketplace fora da assinatura, cobrando percentual da transação. O valor de um professor particular é de outra ordem. Embutir isso na assinatura exigiria um preço altíssimo, que não fecharia pra massa; e quem topava pagar por profundidade enxergava o valor na hora de cada professor. Mantivemos o marketplace separado e cobrando um percentual da transação. Também decidimos não precificar a hora do professor: tabelar seria injusto e desengajaria justamente quem queríamos atrair. O marketplace então mirou as três dores do professor de uma vez: aquisição, agenda e pagamento.
Como conduzi
Antes de tudo, foi um projeto de liderança. Como Design Manager, dirigi um time de cinco designers pelo discovery, pela ideação, pelas iterações e por um release complexo, tudo no aperto da adaptação ao remoto. Montei os rituais que faltavam pra isso funcionar à distância: alinhamentos de time, 1:1s e conversas de desenvolvimento. Mas fiz questão de não sair da mão na massa. Reservava pelo menos 40% da semana pra executar, sempre em dupla com os designers. Trabalhar junto era o jeito de treinar e potencializar cada um sem nunca perder o fio do trabalho real.
Resultado
Com o tempo, percebemos que fazia mais sentido simplificar a oferta. Em vez de uma assinatura à parte, o conteúdo do Academy foi unificado dentro da assinatura única do Letras, num plano só. Mais do que o número de lançamento, o que esse projeto deixou foi o processo: um discovery que mapeou necessidades bem diferentes, decisões de produto e de modelo de negócio tomadas em cima delas, e a experiência de conduzir um time inteiro por tudo isso de forma remota, no meio da pandemia. Foi o projeto que mais me formou como líder de design.