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Redesign dos apps do Letras

Redesenho completo dos apps nativos de iOS e Android do Letras, mantendo a letra a um toque enquanto entravam recomendações, playlists e busca.

Designer principal (iOS) e Product Designer (Android) · 2018 · iOS / Android

Contexto

O Letras é a maior plataforma de consumo de letras de música da América Latina. Em 2018 os apps já não refletiam a identidade da marca nem acompanhavam o que as pessoas passaram a esperar de um app de música. Repensamos os aplicativos de iOS e Android do zero, mantendo a filosofia que sempre guiou o produto: simplicidade e eficiência.

Desafio

O conflito central era crescer sem inchar. O produto precisava incorporar recomendações personalizadas, playlists e uma busca melhor, e cada um desses recursos empurrava o app na direção do genérico, parecido com qualquer outro player. A pergunta de design era como ganhar profundidade sem tirar do usuário aquilo que ele vinha buscar: ler a letra de uma música com o mínimo de atrito.

Havia ainda o fato de serem dois apps. Optamos por desenvolvimento nativo em cada plataforma para não abrir mão de performance, o que exigiu tratar iOS e Android como produtos irmãos, cada um fiel ao seu sistema.

Processo & decisões

A letra a um toque. Na maioria dos fluxos, a pessoa chega à letra com no máximo um toque. A tela de leitura foi desenhada para que tudo que não é a letra ficasse hierarquizado a ponto de não roubar o foco. Estudamos contraste, tamanho e tipografia para uma leitura confortável, e todos os fluxos, mesmo os mais complexos, foram prototipados e testados antes de subir.

Limpar sem apagar a marca. Adotamos uma interface limpa, na linha do que Apple Music, Instagram e Airbnb já faziam. O risco dessa escolha é a experiência virar genérica. Para evitar isso, mantivemos o conteúdo colorido e bem estruturado, com topos que puxam a cor predominante da arte de cada álbum ou playlist. A limpeza veio do layout, a identidade veio do conteúdo.

Divergir onde a diferença é do sistema, convergir na identidade. Como cada app era nativo, deixei as decisões acompanharem a plataforma sempre que a diferença era sistêmica ou cultural. O caso mais claro: no iOS não existe a cultura de ouvir música baixada no próprio aparelho, então o app iOS não carregou esse lado, enquanto o Android sim. A hierarquia da leitura e a identidade visual eram as mesmas nas duas plataformas; o comportamento seguia o hábito de cada uma.

Quando a limitação técnica virou feature. Investimos bastante pesquisa para decidir a prioridade da conexão com serviços de streaming. Na prática, não conseguimos a conexão estável que queríamos. Em vez de descartar a ideia, adaptamos: o app passou a identificar quando a pessoa estava ouvindo uma música e a enviar uma push notification avisando que a letra estava disponível, abrindo direto na tela da letra ao tocar. A restrição acabou apontando uma solução mais simples e mais alinhada ao momento de uso real, quando a pessoa já está ouvindo e só quer a letra na mão.

Como conduzi

Foi minha primeira experiência de liderança, ainda técnica. No iOS eu respondia pelo projeto: definia e encabeçava as iniciativas e falava direto com o PO. Trabalhei com dois estagiários e, como não respondia pela gestão deles como designers, os levei como participantes de tudo, partindo do princípio de que um estágio serve para aprender antes de entregar.

Resultado

Depois dos lançamentos, a nota nas lojas, que oscilava bastante, cravou 4,9 no iOS e no Android. O app Android entrou na lista Google Excellence Apps de 2018, a seleção curada do Google com os apps de mais alta qualidade da Play Store. Juntos, os apps passaram, e mantêm até hoje, a marca de mais de um milhão de usuários ativos por mês.

Escrevi o processo do redesign do iOS em detalhe neste artigo.