Song Sift
Um app que transforma qualquer MP3 do seu celular em base pra tocar junto: separa guitarra, bateria ou voz com IA e entrega uma mesa de mixagem no bolso.
Em 2025 começamos a explorar o que as novas ferramentas de IA generativa abriam pro universo de música.
A separação de faixas (stems) chamou atenção na hora: conversa direto com o que o Cifra Club sempre fez, ajudar as pessoas a tocar, e tinha fôlego pra virar produto próprio.
Peguei o desafio de idealizar, estruturar e desenhar o app de ponta a ponta. Ele nasceu como uma ferramenta à parte, com potencial até internacional por não carregar as limitações de direito autoral que o Cifra Club enfrenta.
O produto tinha que ir além do truque de separar e pronto:
ser uma ferramenta de criação de bases de verdade.
Separar faixas com IA impressiona, mas é uma tecnologia imperfeita e cara de processar, com uma latência que o usuário sente. O desafio era transformar isso num fluxo que a pessoa realmente usa pra tocar, eficiente no que precisa entregar e honesto sobre o que a tecnologia dá conta.
Antes de desenhar tela, fiz uma imersão no mercado, na tecnologia que tínhamos em mãos e, principalmente, nos jobs-to-be-done por trás de criar uma base e isolar faixas.
Queria saber onde moravam as dores e onde valia atacar. Trabalhei lado a lado com o time de tecnologia pra mapear as possibilidades e os limites, pra o app prometer só o que conseguia cumprir.
O core é simples de descrever: a pessoa escolhe um MP3 que já tem no celular e recebe de volta os instrumentos separados, guitarra, bateria, voz.
Todo o processamento é server-side; nada roda no aparelho. O app faz upload do arquivo e recebe o resultado, preservando o formato e a qualidade próximos do original, e o design teve que dar conta dessa latência com estados claros de upload e processing.
A partir daí, desenhei as affordances de uma mesa de mixagem de verdade:
- mutar e desmutar instrumentos;
- equilibrar o volume de cada faixa;
- salvar várias versões da mesma música pra usos diferentes.
O app também cuida do acervo. Áudio baixado quase sempre vem sem metadados, então o sistema corrige a ID3 tag e organiza os arquivos no dispositivo, pra biblioteca não virar uma pilha de faixas sem nome.
Na entrega, aproveitei pra experimentar um stack novo. Como não havia requisitos de plataforma que justificassem o nativo, diferente dos apps nativos da Studio Sol, fomos de Flutter: um codebase único pras duas lojas, com mais velocidade de desenvolvimento e manutenção.
Na época eu era Design Manager do time e, mesmo assim, toquei esse projeto na mão. De tempos em tempos eu mergulhava num projeto sozinho, às vezes com apoio do time, pra ficar perto da execução e não enferrujar enquanto liderava. O Song Sift foi um desses.
O app está no ar no iOS e no Android, em refinamento contínuo. Nos testes de usabilidade e com o grupo fechado que convidamos pra usar, a resposta foi forte: resolve a dor que a gente tinha mapeado, do arquivo solto até a base pronta pra tocar.
Ficha técnica
- Design de produto
- Josue Macedo
- Branding
- Heron Vieira
Ferramentas
Figma · Flutter